Assessor de imprensa não precisa ser jornalista?
O veto do presidente Lula ao Projeto de Lei complementar ao Decreto-Lei 972, de 17 de outubro de 1969, que dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista trouxe mais uma vez à tona o assunto que havia sido abafado no ano passado quando a tentativa de criar um Conselho Federal de Jornalistas também fracassou. Nesta semana li artigos que defendem a maior rigidez no exercício do jornalismo e os que são contra até mesmo a regulamentação da profissão.
Oras, o que posso defender aqui, como jornalista de formação e de atuação em diversas frentes, é que não podemos regredir. Se houve momentos, anos e décadas em que a profissão era escolhida por quem se sentisse habilitado com as letras, hoje não pode mais ser assim. São inúmeros profissionais competentes que já exercem com real cuidado o trato com a notícia, afinal não há restrições quanto a isso até agora.
Mas não podemos deixar de repudiar que qualquer pessoa com recursos compre espaços na televisão e monte um programa de entrevistas com o intuito único de se auto-promover porque será candidato a um cargo eletivo. Entrevista, notícia, fatos jornalísticos deveriam ser temas tratados com mais cuidado e para isso a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) luta para que haja faculdades melhores, para que os profissionais se unam em prol do fortalecimento da categoria e que possamos atuar com responsabilidade e ética sem precisar se entregar em troca de salários risíveis dos veículos de comunicação. Para isso serviria o Conselho profissional, para manter comissões de ética, de formação e não fiscalizar a atuação dos jornalistas como quiseram impor os proprietários dos veículos.
E A ASSESSORIA DE IMPRENSA?
Na área de assessoria de imprensa também há equívocos. Uma assessoria de Comunicação Social deve sim ter profissionais de várias áreas, como Relações Públicas, publicitários, historiadores, administradores, enfim, quem tiver habilidades e conhecimento para as funções em relação aos mecanismos de comunicação de uma empresa, uma instituição ou um órgão governamental. Mas quando falamos em assessoria de imprensa defendo a exclusividade de quem tem a correta noção de notícia, dos termos utilizados nas redações e das rotinas de trabalho dos veículos. Temos uma conduta a seguir, temos formação que nos permite nos preocupar com preceitos da divulgação da verdade ou o relato mais próximo dela. Exceções existem, claro, como em toda profissão.
Práticas como tentar impedir que uma matéria seja veiculada, ainda presente no mercado infelizmente, vai contra ao Código de Ética dos Jornalistas, e sendo ele um assessor de imprensa tentará agir de outra maneira para que o mais importante seja preservado: o interesse do público.
Para mantermos a sociedade democrática é preciso garantir que a imprensa também esteja valorizada, assim como as assessorias de imprensa, que intermediam o dia-a-dia dos fatos e possuem um forte compromisso com a informação.
Segunda-feira, Agosto 07, 2006
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